segunda-feira, 23 de novembro de 2009

QUESTÕES TÉCNICAS



Exmº. Senhor Director

Fiquei estupefacto com uma notícia do vosso jornal, em que o meu nome mais uma vez é citado. Quero e desejo realçar que ao mesmo tempo, é motivo de satisfação pessoal pelo assunto que encerra.
No dia 4 do corrente mês de Novembro, solicitei ao Exmº. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Coimbra o meu regresso ao serviço de origem – Divisão de Desporto – após alguns meses de assessoria aos Vereadores do Partido Socialista.
Sou surpreendido com notícias vindas a público acerca da minha continuidade, em reunião do executivo de dia 10 de Novembro. Terá necessariamente existido algum equívoco.
O que já não me parece equívoco, são as afirmações do Senhor Professor Álvaro Maia Seco, quando diz que o “antigo” – que era eu - não serve, porque o próprio- leia-se Partido Socialista, penso eu - precisa de alguém “com características técnicas”.
O País andou à deriva, quando alguns técnicos acharam que poderiam determinar políticas. Foi um erro pelo qual ainda estamos a pagar bem caro.
É fundamental não misturar as coisas nem as funções. Os políticos delegaram num técnico a elaboração de um projecto para o Metro Mondego. Foi assim, é assim, ponto final parágrafo! Só que a alguns técnicos, um dia, “deram-se” a importância de ser político e estragam tudo; a sociedade perde um bom técnico e ganha um mau político!
Espero e tenho confiança que o Metro Ligeiro de Superfície seja rapidamente construído e sobretudo, que se pague a si próprio. Era viver um novo paradigma ao qual o técnico não responde, porque à política diz respeito. É bom que todos nos situemos no nosso exacto local, sem a tendência natural, mas pouco ética, do atropelamento de funções.
As características técnicas que possuo, poderiam ter servido, por exemplo para ajudar a vencer as eleições autárquicas, assim alguém tivesse querido ou desejado. Quando o umbigo é grande o disparate é maior!
A minha actividade política está assente num passado de coerência e de liberdade. Construí uma vida ao lado de grandes homens e companheiros, mais novos e mais velhos, sempre com a atenção devida para com o erro. O espelho, à minha medida – nem côncavo nem convexo – serve sobretudo para, a cada dia, tentar melhorar a minha prestação, tendo sempre em atenção que vivo em sociedade; na minha sociedade de Coimbra, uma comunidade de vizinhos!
A diferença de opinião ou de credo nunca foi para mim uma dificuldade inultrapassável. Por isso, fui presidente de uma Associação de Pais, fundador de uma IPSS, colaborador de associações cívicas e outras IPSS, dinamizador de projectos que tiveram como objectivo ajudar alguns a encontrar o seu caminho, entre tantos outros trabalhos que transformaram “o lucro em gozo”!
O exemplo de dignidade e de entrega a causas, é o maior valor que deixo aos meus descendentes.
As minhas qualificações poderiam ter dado outra luz e sobretudo “outra alma” a uma campanha eleitoral incapaz, fugaz e cinzenta.
Que pena… com a vitória logo ali!

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